Ontem à noite assisti ao debate dos candidatos a prefeito de Viamão na TVCOM,
canal UHF 36 de Porto Alegre. Como sempre, me reservo o direito de fazer meu
review do espetáculo.
Na noite de ontem, houve uma completa troca de
papéis em relação ao debate da TVE há alguns dias.
Comecemos pelo
prefeito Alex Boscaini (PT). Ele continua falando bem na TV, e é convincente. Se
eu não morasse em Viamão, acreditaria no que ele diz. Ele argumenta com lógica.
Pena que tudo o que ele diz que fez não pode ser visto na realidade. Ou seja,
Alex repetiu a fórmula usada na TVE.
Geraldinho (PSOL) se saiu bem. Manteve o mesmo desempenho do debate passado,
bateu bem e apanhou pouco. O Geraldinho tem uma coisa muito boa: ele não se
perde quando fica tenso. De modo que, apertado pelos adversários, ele sempre
lembra algum dado que prova que ele está certo, e acaba usando a força do
argumento contra o próprio atacante que o lançou. Palmas para o Geraldinho. Se o
debate decidisse a eleição, ele seria o próximo prefeito.
O Janes (PP),
que no último debate parecia uma múmia paralítica, foi ao ar na TVCOM com todo o
gás. O cara estava incrível! Atacou o governo, demonstrou que conhece a cidade,
se defendeu bem dos ataques. Só que, lá pelas tantas, ele estava tão indignado
com os argumentos do prefeito Alex, que sua voz começou a tremer e ele mexia as
mãos compulsivamente. Mesmo irritado, foi brilhante. Eu sinceramente gostei mais
deste Janes da TVCOM do que o Janes paradão da TVE. Ponto para ele.
Agora, vou dizer uma coisa que provavelmente me renderá críticas dos
leitores. Eu cheguei a ficar empolgado com o mais improvável dos candidatos:
Mauro Nunes do PHS. Esse cara não é nada! É apenas um motoboy, um joão-ninguém
sem experiência política nenhuma. No debate da TVE, ele gaguejava, se perdia e
não sabia o que dizer. Ontem à noite, a TVCOM foi o palco de sua revanche. O
cara fez ironias, jogou o Sarico contra a parede, apertou o Alex, fez o Janes
ficar gago e furioso. Eu sinceramente não esperava tanto do Mauro. Qualquer hora
dessas, vou à casa dele na Vila Augusta para cumprimentá-lo.
O Sarico
(PMDB), que na TVE estava na ofensiva, desta vez jogou na defensiva. Manteve a
calma, e jogou como um time que estivesse passando por uma má fase e optasse por
uma tática retranqueira. Questionado sobre os rolos envolvendo seu nome,
preferiu falar sobre seu plano de governo e minimizou a questão. O que pouca
gente sabe, é que nesta sexta-feira o "caso Sarico" viverá um momento decisivo,
e se a candidatura dele não for derrubada no final da semana, não poderá ser
derrubada depois. Eu pessoalmente não gostei da atuação do meu candidato. Acho
que ele, ao invés de desclassificar os ataques em cima do seu nome, deveria ter
rebatido estes ataques e dado já a sua defesa, argumentando a favor da própria
inocência no processo que corre na Justiça. Mas ele optou por não entrar muito
na questão. Não gostei, mesmo. Ao evitar o assunto, ele acabou usando uma tática
"Anthony Garotinho", de responder a uma pergunta sobre um assunto falando de
outro. Minha esperança é que, no próximo debate, o Sarico já terá uma posição
definitiva da Justiça e poderá então trabalhar com mais desenvoltura, inclusive
para desmontar as argumentações dos adversários.
Regina Dutra (DEM) foi,
como sempre, a pior participante do debate. Demonstrou despreparo e
desconhecimento. Não aprendeu nada com a vexatória experiência da TVE. Bateu
torto, e apanhou uma surra tamanha, daquelas para ficar com o lombo vermelho por
uma semana. Coitada. Ela tentou bater de frente com os outros candidatos, mas
gaguejava, perdia o fio da meada, se enrolava. Seu plano de governo parecia
mudar a cada citação sua, conforme o momento. Mas o cúmulo do vexame foi quando
ela, já muito humilhada, resolveu apertar o Mauro Nunes, talvez porque ele fosse
o mais fraco de seus oponentes, na esperança de marcar seu "gol de honra". O
Mauro tremeu um pouco nas canelas, mas em seguida intimou-a a apresentar seu
projeto na área social. Regina apelou para o mata-cobra, prometendo uma
bolsa-creche de R$150,00 para cada mulher trabalhadora. Uma promessa obviamente
inventada na hora para não fazer feio na TV. Mauro aproveitou para tirar um
sarro. Ela ainda tentou enfrentar o novato, mas até o final sentiu o chinelo a
cantar-lhe nas nádegas. Não teve jeito. Regina parece fadada a ir para a TV só
para passar vergonha mesmo. Ainda bem que ela não vive da
política.
Quanto ao debate em si, achei-o muito superior ao da TVE.
Simplesmente porque a TVCOM tem o Lasier Martins e a TVE não tem. O cara sabe
conduzir um debate. E eu achei bem interessante, porque o da TVE não teve muito
espaço para perguntas livres. Aliás, no da TVE o sorteio era feito com
papéizinhos (que pobreza!) e não por computador. Na TVCOM, as rodadas
conseguiram meio que forçar um debate mais plural e menos truncado. Tivemos duas
rodadas com perguntas livres e escolha livre do adversário que deveria
responder, e nas duas rodadas a bola passou pela mão dos candidatos em ordem
diferente. Só achei o debate meio curto.
Bom. Vamos esperar pelo
próximo. Temos ainda um mês de campanha pela frente, e agora é que a chapa vai
esquentar pra valer!
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